Eu amo home office

Desde que a pandemia começou, em todo o mundo, milhões de profissionais passaram a atuar remotamente, de casa. Já não seria por si só uma situação fácil para grande parte das pessoas. Quando juntamos a isso uma crise mundial sanitária, escolas fechadas, filhos em casa, louça suja na pia 24 horas por dia, incerteza econômica e, no Brasil, a cereja no bolo, a situação política, o pânico tende a se instaurar como um gás paralisante.

É verdade, muitas pessoas não estão familiarizadas a esse tipo de regime profissional, têm dificuldade em estruturar a jornada de trabalho em casa ou preferem a vivência corporativa em vez da rotina a distância. A boa notícia é que o teletrabalho pode trazer vantagens para quem dele usufrui e, com um pouco de jeito e hábito, se transformar em uma prática surpreendentemente eficaz.


Trabalho de home office desde 2015 e, para mim, esta possibilidade sempre foi um privilégio. O que não quer dizer que eu despreze ou não tolere a rotina corporativa. Pelo contrário! Gosto da troca com colegas, de fazer parte de um grupo, aprender com a convivência e de aprofundar relacionamentos que trarão novos amigos.

Como tudo na vida, no trabalho remoto há prós e contras: ganhar menos em algumas ocasiões, sentir falta de uma troca mais próxima com colegas, do almoço e do happy hour com a galera são alguns dos aspectos negativos.

Por outro lado, há benefícios. Para mim, o home office possibilitou ganhos profissionais e pessoais. O primeiro foi conquistar liberdade, autonomia e flexibilidade trabalhando como autônoma. Eu vinha de uma situação muito engessada de trabalho e precisava de um formato que me permitisse ser mais eu, criar e ter mais tempo para mim e para os meus projetos. Ainda, trabalhando em casa, eu tive o privilégio de acompanhar mais de perto a primeira infância do meu filho. Mesmo trabalhando, eu estava ali, do lado, de olho, economizando o tempo de deslocamento para buscá-lo na escola.

O começo…

O início é mesmo um pouco confuso. A gente tem a sensação de que não está trabalhando, ouve a tevê do vizinho na Sessão da Tarde e tem calafrios, se sente isolado e fica em dúvida se vai mesmo conseguir. Passados um ou dois meses de adaptação, vêm as delícias: evitar transporte público cheio, não surtar com o calor do Rio 40°, aprender a ser mais independente ainda etc.

Percebi que o teletrabalho era um formato que cabia muito bem a mim e me trazia mais vantagens do que desvantagens.Tem sido assim desde então, incluindo, durante a pandemia.

Home office e a pandemia

Como todo mundo, entrar em isolamento social tendo de trabalhar de casa, com filhos a gritar por ajuda e atenção e ainda dar conta das tarefas domésticas, tem sido um desafio, claro (enquanto escrevo, meu filho de três anos berra no quarto do lado os diálogos de algum desenho animado em decibéis que eu não imaginava possível um ser humano emitir). E olha que eu tenho a regalia de contar com ajuda da minha mãe e do meu marido, que revezam os horários de trabalho e cuidados da criança comigo. Mas foi e tem sido uma rotina emocionante. Agora, menos, nos adaptamos, mas ainda é complicado equilibrar todas as demandas; é um dia de cada vez.

O que fazer, então? Trabalhar em meio ao caos? É, mas com organização, boa vontade e disciplina

Determinadas ações e recursos podem auxiliar quem tem dificuldades de trabalhar em casa. Algumas coisas, que eu já lançava mão antes da pandemia, contribuíram desde sempre para uma experiência fluida de teletrabalho. Elas me deram suporte para seguir no home office sem enlouquecer de vez no isolamento.

Esses mesmos artifícios permitiram também, no passado, que eu tivesse um bom desempenho mesmo se o caso fosse o de trabalhar algumas horas em um café, entre uma reunião e outra (ô saudade de fazer isso. Vai passar!), no melhor estilo “nômade digital” rs.

É verdade que, neste isolamento da pandemia de Covid-19, eu adquiri uma capacidade sobrenatural de escrever e me concentrar com berros e birras de criança. No entanto, não posso negar que ser organizada desde sempre me faz produtiva no teletrabalho.

As dicas que trago aqui são, em grande parte, bem simples. Porém, são recursos que funcionam para mim e influenciam de forma determinante o meu desempenho. Tomara que funcionem para você também!

De saída, o que é necessário para ser eficaz e eficiente no home office?

Tenha uma rotina: tome café da manhã, assista a seu jornal, tome banho ou o que lá você precise para dar início ao seu dia. No meu caso, eu não me arrumo como se fosse sair, mas preciso sentar para trabalhar de banho tomado e de cafeína no sangue. Só depois, começo minha jornada.

Tente praticar os mesmos horários de início e fim de jornada como se você tivesse mesmo no escritório de uma empresa. Isso vai ajudar você a se condicionar, evitando fugas ou distrações. Afinal, home office não é bagunça!

Seja disciplinado: seja compromissado com as suas metas. Mas, também, entenda que há dias em que a gente rende menos. Nessas ocasiões em que sinto que estou mais lenta para engrenar, seleciono as atividades que mais gosto e deixo as mais complexas para depois (desde que elas possam ser postergadas).

Tenha um espaço fixo: não precisa ser um cômodo exclusivo da casa (luxo!), pode ser no seu quarto, um espaço da sala, um canto acolhedor e funcional. A questão é ser um local estruturado com tudo o que você precisa: mesa e cadeiras confortáveis (preferencialmente ergonômicas), seu computador e o que mais você utilizar na sua dinâmica profissional. Um ambiente organizado nos ajuda a estar em ordem internamente.

Busque ser autodidata: tente dominar diferentes habilidades além daquelas necessárias a sua profissão em si. Isso pode ajudá-lo a ser mais independente quando imprevistos surgirem. Você não precisa ser um programador ou mesmo um técnico em informática, mas pesquise, tente resolver sozinho pequenos contratempos. Ah, aprenda o básico de programas como Corel, InDesign, Photoshop, WordPress… Assim, você não passa aperto.

Tenha um método para chamar de seu em relação a compromissos e tarefas: sou uma pessoa analógica no que diz respeito a anotar atividades, compromissos e estruturar tarefas. Por isso, tenho uma boa agenda de papel, que carrego comigo aonde vou. Nela, anoto tudo: desde compromissos pessoais, a reuniões importantes ou tarefas simples como mandar um e-mail. Tudo o que precisa ser lembrado fica nessa agenda de papel. Também uso recursos como o Google Agenda para encontros e reuniões, mas jamais deixo de anotar na minha agendinha de papel.

Foto de
Emma Matthews Produção de conteúdo digital no
Unsplash

Se você já deixou esse negócio de papel para trás, há muitos recursos tecnológicos para organizar o dia a dia, como o Trello. O lance é não perder essas tarefas de vista e usar o que melhor se adapta a você. Nunca confie apenas na sua memória.

Ferramentas e processos fundamentais para a eficiência do seu trabalho (em qualquer tempo ou situação)

– Organização dos arquivos – Crie o hábito de ter pastas e subpastas para todos os clientes/jobs. E dentro delas, outras pastinhas dividindo atividades: “Textos aprovados”, “Imagens”, “Jornal edição 34” etc. Aqui, eu tenho pastas para assuntos burocráticos da empresa, arquivos institucionais, referentes à prospecção, contratos etc.

Uso esse método também na vida pessoal: salvo coisas importantes por categorias e pastas e sempre que preciso de algo, acho facilmente.

E crie essas pastas na nuvem (Dropbox, Google Docs, One Cloud…)! Não caia na esparrela de salvar no seu computador. Se a sua máquina morre (e isso costuma acontecer sempre que você tem aquele job importante para entregar), você perde tudo. Não seja essa pessoa.

– Novamente: Serviço de nuvem – Aonde você for, você acessa seus arquivos. Se você tiver que trabalhar em um computador diferente, você pode consultar ou baixar qualquer arquivo. Sem falar que é possível acessar nuvens em smartphones e tablets, né.

Desculpe, eu não resisti colocar esta foto aqui, que, aliás, é de
Billy Huynh no
Unsplash

– Mesmo tendo nuvem, faça backups das coisas mais importantes regularmente em um HD externo… vai que, né.

– Pacotes de programas/softwares – Eu assino Microsoft Office e Adobe Creative Cloud. Não vou nem entrar no mérito de que piratear é crime… Hoje, esses softwares possuem pacotes mais baratos para nós, reles mortais. Você poder instalar seus programas em outra máquina sem depender de um técnico que possa atendê-lo quando o seu computador pifar ou você mudar de máquina. E isso agiliza muito o processo de trabalho solo em casa.

É possível buscar por softwares gratuitos para economizar. Alguns colegas usam o Libre Office como alternativa ao pacote office da Microsoft. Vale tentar.

– Usar Webmail em vez do programa Outlook (e, claro, usar adequadamente os recursos de organização de pastas para arquivar os e-mails) – É a mesma lógica da nuvem: em qualquer lugar, você tem acesso aos seus enviados e e-mails organizados. Eu era uma típica Embaixadora do Outlook, mas por motivos profissionais, fui obrigada a usar o webmail e acabei deixando de lado o app, que arquiva nossos e-mails em uma única máquina, os deixando inacessíveis caso o computador quebre.

Tenho usado o próprio outlook.com para algumas contas, o que tem sido bastante funcional, já que é possível organizar com a mesma lógica da versão software.

Assim como no desktop, eu também crio pastas no outlook/webmail para todos os clientes, jobs e atividades – Burocracias, Enviados 2019, Prospecção etc.

Desse modo, você sempre terá, ao movimento de uma simples busca, aquela conversa sobre pagamentos, acordos ou qualquer coisa que seja mais do dia a dia e não esteja em seus arquivos e pastas na nuvem.

– Tenha um pacote de celular com ligações ilimitadas. Você liga para quem precisar sem se preocupar com o seu custo no final do mês.

Organizando o dia

Normalmente, começo meus dias de trabalho pagando contas, respondendo e-mails, checando pendências e fazendo alguns follow-ups.

A parte da tarde é o período que costumo dedicar a tarefas mais longas, como escrever textos e fazer planejamentos detalhados.

Também costumo usar a tarde para entrar em contato com fontes e fazer apurações.

Veja no seu dia o que precisa de mais espaço e o que leva menos tempo, a fim de organizar suas horas de trabalho. Observe também o período em que você costuma ser mais produtivo e programe tarefas mais elaboradas nessas horas (ou mais criativas).

Fugindo das distrações

– Não assisto a nada que não seja profissional ou de estudo durante os dias de trabalho. Quer dizer que eu não vejo vídeos curtos, ouço podcasts ou leio efemérides? Não, eu vejo, mas não paro para ver capítulos de séries ou filmes de entretenimento sob o lema “depois eu trabalho até mais tarde para compensar”.

Eu sigo um horário de expediente fixo, o que também não quer dizer que não haja dias em que eu precise estender as horas. Acontece, sim, mas por conta do meu planejamento e organização, costumo dar conta dos trabalhos entre 9 horas e 19 horas na quase totalidade dos dias. Quando tem um projeto que preciso entregar logo ou com prazo curto, me dedico a mais horas. Do contrário, tento dar conta dentro das minhas horas “úteis” de trabalho de dia.

– Se eu preciso fazer alguma coisa que leve mais tempo em casa, como a faxina, tento encaixar logo depois do meu expediente (pra ficar logo livre) ou antes de começar meu dia. Faço as atividades divididas: um dia, troco roupa de cama e banho, no outro, passo aspirador na casa etc. Uso a mesma lógica para compromissos pessoais externos (como médico, exames ou burocracias inadiáveis), coisas que também faço às vezes na hora do almoço.

– Aproveito pausas para espairecer dando uma lavadinha na louça, estendendo a roupa lavada na corda, passando um café.

– Uso minha hora de almoço para dar um pulo no mercado e abastecer a despensa.

– Normalmente, tenho comidas meio que já engatilhadas e prontas para comer em casa. Às vezes, saio para almoçar em restaurantes próximos, mas, no geral, prefiro ficar em casa. O que é bom e ruim. Bom, porque economizo, ruim, porque sair é bom para dar aquela espairecida.

Agora, é só colocar em prática 😉 E depois me conta no Instagram (@escrevesedetudo) se funcionou ;@escrevesedetudo

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