CineMaterna: telona para mães e filhos

Nota do Blog: Esta matéria foi publicada originalmente na Revista KIDSin, no ano de 2011.

Tudo começou em 2008, quando mães de um grupo de discussão virtual resolveram agir diante de uma situação que acontece com todos que têm filho pequeno: a calmaria na vida social. Dispostas a retomar hábitos antigos, mas fora de possibilidade na vida de famílias com crianças de colo, essas mães se rebelaram, pegaram suas crias e invadiram uma sessão normal de cinema.

Foi com esse ato de rebeldia que Alexandra Swerts, jornalista, Irene Nagashima, administradora de empresas, e a engenheira Taís Viana tiveram a ideia de criar o projeto CineMaterma. Depois de algumas sessões experimentais, as três se organizaram e elevaram o CineMaterna a status de ONG, que, hoje, conta com o apoio de uma importante rede nacional de cinemas e vai muito além de sacudir a vida social das mamães, como explica Alexandra:

– Nos utilizamos da cultura para, afora entretenimento, promover entre as puérperas a troca de experiências a respeito da gravidez e maternidade, além de ajudá-las a lidar com as transformações e percalços que podem surgir nesse período.

As sessões do CineMaterna são especiais! A faixa etária limite é de pequeninos com até 18 meses.  Acompanhantes como papais, vovós e titios também são bem-vindos.  As salas são equipadas para acolher os bebês da melhor forma possível: o som das exibições é reduzido, há trocadores de fralda, o ar-condicionado é suave e o ambiente é levemente iluminado.

Ao final de cada edição, acontece um café com bate-papo, no qual as frequentadoras têm a oportunidade não só de comentar o filme, como partilhar dúvidas, experiências e truques infalíveis que só as mães sabem.

Estacionamento de carrinhos de bebê dentro do cinema

Para a fundadora Irene Nagashima, que é mãe de Max (3 anos) e Eric (2 meses), o café depois das sessões representa uma contribuição extremamente valiosa: “Essa conversa informal após as exibições é ímpar para as famílias. Quando começamos o CineMaterna, o café que fazíamos depois tornava o programa ainda mais especial. Eu sentia que podia conversar sobre a maternidade sem censura e com pessoas que me entendiam plenamente”, relata.

Irene é cinéfila de carteirinha e sentia muita falta de assistir a filmes na telona depois do nascimento do primeiro filho. Na opinião dela, o CineMaterna é uma oportunidade para a mulher com filho voltar à vida cultural e social sem abrir mão da companhia de seu bebê:

– O projeto consegue, pelo menos, dar uma agitada na vida sóciocultural das mulheres. Abdicar de atividades e eventos é normal no período pós-parto, seja porque há que se cuidar da criança o tempo todo, ou ainda porque nem todo lugar é adequado para receber os pequenininhos. Mas com as exibições conseguimos unir o útil ao agradável.

Já para Alexandra Swerts, fazer parte do CineMaterna é uma das ações mais verdadeiras que aconteceram em sua vida: “É muito gratificante ver outras mães descobrindo o programa como uma maneira gostosa de viver a maternidade. Ver uma mulher sair em plena sintonia com seu bebê de uma sessão do projeto é uma grande satisfação e motivação para mim”, conta a mãe de Felipe (3 anos) e Jonas (11 meses).

Já Taís Viana, a terceira fundadora do CineMaterna, sempre adorou ir ao cinema. Antes da filha Anna Karuna, hoje com 3 anos, nascer, curtia o programa toda semana. Com a chegada da pequena, teve que abrir mão da diversão, mas retomou toda a animação quando as amigas tiveram a iniciativa de frequentar exibiçoes com as crias debaixo do braço:

– Quando minhas amigas começaram a organizar um grupo de mães “guerrilheiras” para invadir o cinema, não deu para resistir e abracei por inteiro a causa. Somente no ano de 2010 foram exibidos 95 filmes, para um público de 19 mil adultos e quase 11 mil bebês. Mas não fazemos tudo isso sozinhas. As próprias mães frequentadoras se alistam no nosso voluntariado e em cada lugar em que o projeto acontece há um grupo responsável pela organização.

Apesar de já acontecer em muitas capitais e municípios do Brasil, fazer com que o CineMaterna seja possível em todas as cidades do país é bem difícil. E custa caro. Mas, Alexandra, Irene e Taís nem pensam em desistir e vão adiante, em busca de contingente para o seu exército de mães voluntárias:

– Ainda tem muitas mães nesse Brasilzão que gostariam de ir ao cinema com seus bebês. São dezenas de cidades sem CineMaterna. Pode não parecer, mas chegar até as cidades menores, no interior dos estados, é mais trabalhoso. Mas não vamos desistir! – garante Taís.

Segundo as fundadoras, o CineMaterna vai alçar voos ainda maiores. Existem outros países interessadas no projeto. A primeira operação internacional deve ser na Argentina, mas ainda não há previsão exata de quando isso irá acontecer. Por enquanto, as mamães de outros países vão precisar esperar mais um pouquinho.