Nalu pelo Mundo

Nota do Blog: Esta matéria foi publicada originalmente na Revista KIDSin, no ano de 2011.

Tem família que gosta de acampar, de levar as crianças para a Disney todo ano, que compartilha um esporte como hobby, ou coleciona coisas que passam de pai para filho. Mas a família da série “Nalu pelo mundo”, exibida pelo canal fechado Multishow e que recentemente virou um quadro no programa Esporte Espetacular, da Rede Globo, gosta mesmo é de ondas, das maiores do planeta. E essa paixão a leva aos mais diferentes lugares e às mais incríveis aventuras.

O programa “Nalu pelo mundo” é, nada mais, nada menos, do que a saga da família do surfista Everardo “Pato” Teixeira em busca de grandes ondas pelo mundo. Ele, Fabi Nagol, sua esposa, e Isabelle Nalu, a filha de 4 anos do casal, são todo o staff do programa, que vai de país em país, de onda em onda.

Tudo começou quando Pato, que é catarinense e especializado em ondas gigantes, depois de já ter percorrido os sete mares em busca de adrenalina e emoção, sentiu falta de uma família para completar sua felicidade. Foi então que, em uma feira de surf (como não poderia deixar de ser), conheceu Fabiana Nigol, que hoje é quem faz vez de cinegrafista, registrando todos os momentos da família para a série de televisão.

O casal curtia suas aventuras quando Fabi engravidou de Nalu, que já era famosa antes mesmo de vir ao mundo.  Ainda na barriga da mãe, a menina protagonizou o documentário que inspirou a série. No filme “NALU”, a bebê narrava sob seu ponto de vista intrauterino como escolheu aquela dupla de pais surfistas. Aliás, falando em vir ao mundo, Nalu nasceu de modo nada convencional: no Hawaii, pelas mãos de uma parteira!

Com a chegada da filha, Pato e Fabi decidiram encerrar as atividades aventureiras pelo mundo, compraram uma casinha em uma praia tranquila do litoral brasileiro e hoje vivem uma rotina pacata. Nada de grandes ondas, nem países exóticos…

Acreditou nessa versão dos fatos? Pois foi exatamente o contrário que aconteceu. A família ganhou ainda mais fôlego para aventuras e agora, em vez de uma dupla, é um trio seguindo nas mais curiosas trips. A série do Multishow já está na terceira temporada. Pato surfa, Fabi filma as peripécias e Nalu, ahhhh, Nalu se diverte! Eles já visitaram 12 países atrás da onda perfeita. No roteiro há  destinos como Tahiti, Indonésia, Chile, Inglaterra, Austrália, onde a única rotina é a certeza de não se ter rotina. Culturas, idiomas e comidas diferentes, nada de moradia fixa… A família segue mesmo ao sabor da maré. Mas como fica a vida de Nalu com um modelo familiar tão diferente do convencional? Como criar uma criança com o pé – e a vida – na estrada?

Isso não é um problema para o clã de Pato, que dá uma lição de desprendimento e mostra que essa experiência pode ser muito interessante para a filha. Isso porque a menina tem a possibilidade de ter contato com outras culturas e idiomas, de aprender a lidar melhor com as diferenças, oque pode ser determinante no modo como enxerga o mundo. É o que conta o surfista:

– O fato de estarmos em vários países faz com que ela aprenda naturalmente outras línguas, o inglês principalmente. As diversas e exóticas culturas, distintos povos e classes fazem com que ela observe a diferença entre as pessoas de outro modo. Gostamos muito quando temos a oportunidade de estar em locais afastados, em ilhas, onde não precisamos de luxo para viver. São nesses momentos que aprendemos a observar o que a natureza nos oferece: a beleza natural quase intocada, a pesca do nosso próprio alimento, um pôr do sol maravilhoso, animais e flores diferentes e os amigos que a gente encontra.

Diferente da rotina, que no caso da “família Nalu” é substituída por vivências e experiências enriquecedoras, há cuidados realmente insubstituíveis com uma criança, como a saúde, alimentação, escola… Afinal, criança é criança em todo lugar, ainda que seja uma pequena aventureira. De acordo com Fabi, a maior preocupação com a saúde acontece nos lugares muito afastados ou de cultura muito diferente, já que muitas regiões por onde passam não são tão seguras e estruturadas. Quando vão a Fiji, Indonésia e Papua, Nova Guiné, por exemplo, eles não abrem mão de uma farmácia particular e nem do telefone da pediatra de Isabelle, com quem mantêm contato sempre.

Assim como nunca passou por nenhum susto sério com doenças, Nalu também nunca teve problemas com a alimentação. Criança, às vezes, tem algumas restrições com gostos diferentes ou com alimentos mais picantes. Mas Isabelle Nalu, não! Desde que começou com comida sólida, ela come de tudo: sashimi, frutas, verduras e até pimenta. “Ela encara tudo com a maior naturalidade”, complementa a mãe e “cinegrafista” Fabi.

A felicidade da pequena Nalu é a maior preocupação dos pais, que sempre observam e perguntam como a filha está se sentindo e se está gostando das aventuras e viagens: “Nalu sempre diz que adora viajar, mergulhar, brincar e fazer amigos pelo mundo”, garantem os pais.

Mas a verdade é que Isabelle Nalu também dá uma forcinha ao estilo de vida que os pais escolheram. A menina já está tão acostumada com a rotina de não ter rotina que quando está no Brasil sempre pergunta o que vai fazer no dia. Com ela não tem essa de timidez. Apesar da pouca idade, fala com todo mundo, faz amigos com facilidade e, quando não consegue se comunicar direito, pede ajuda aos pais. Gosta de perguntar sobre roupas e comidas dos locais por onde passa e sempre se lembra do nome dos amiguinhos que conheceu, como relata a mãe:

– Ela se adapta muito fácil aos lugares e pessoas de qualquer idade. Acho que esse estilo de vida que levamos ajudou muito na questão da adaptação. Segundo a numerologia, o nome dela quer dizer “ser do mundo, imigrante nato”, e tenho mais certeza disso a cada dia que passa.

Em havaiano, Nalu significa “onda”. E as ondas, definitivamente, continuarão fazendo parte da vida dessa garotinha. Os pais só ainda não decidiram como será a educação dela daqui para frente, já que no Brasil, os estudos são obrigatórios a partir dos seis anos de idade. Hoje em dia, Nalu tem muitos livros de atividades e já sabe todas as letras em português e inglês, além de saber escrever o nome dos familiares.

– Ainda temos dois anos para decidir e pensar mais no assunto. Vai depender bastante de onde estivermos morando, como estará nosso trabalho, enfim… Como ela é americana também, temos a opção do home schooling, método de ensino em que a criança aprende em casa, com os pais ou com um professor particular, e passa por avaliações periódicas -, finaliza o surfista Pato.